Recife Arte Pública: Vitral

apresentação

A arte de fazer vitrais floresceu na Europa durante a Idade Média, quando foram amplamente utilizados na ornamentação das igrejas e catedrais. Como elemento integrativo entre arte e arquitetura, o uso do vitral estava associado principalmente ao efeito da luz do sol quando atravessava os vidros coloridos, pois conferiam ao ambiente uma maior imponência e espiritualidade. De técnica complexa, o vitral exige conhecimento sobre as variações de luminosidade, composição de vidro e cores, além de interpretações em torno da história retratada.

No Brasil, até a década de 1880, os vitrais eram importados da Inglaterra, França e Alemanha. O primeiro ateliê especializado na arte do vitral do país surgiu em São Paulo, em 1889, fundado pelo artesão alemão Conrado Sorgenicht. Como se pode perceber, a história do vitral no Brasil já dura mais de 120 anos.

Em Pernambuco, o pintor alemão Heinrich Moser foi o pioneiro na difusão dessa expressão artística no estado. Em 1930, ele concluiu o primeiro vitral feito no Recife, produzido para o Palácio da Justiça, em referência à “Abertura do Primeiro Parlamento Democrático”, o qual foi comandado por Maurício de Nassau. Os vitrais de Moser são tipicamente novecentistas, tanto na expressão figurativa como nas temáticas abordadas, temas históricos dos grandes feitos ou religiosos, inserem-se nas obras arquitetônicas - ainda historicistas ou proto–modernas do início do século XX e ainda muito presente no Recife dos anos 30 - onde geralmente são colocados em janelas sequenciadas ou painéis localizados em caixas de escada.

Heinrich Moser fundou, junto a Murillo La Greca, Balthazar da Câmara, Goerges Munier e outros artistas, a Escola de Belas-Artes, onde montou o primeiro ateliê de vitral do estado. De lá saíram nomes que deram continuidade à arte vitral do Recife, como Aurora Lima, Suely Cisneiros, Betânia Uchoa, entre outros.

Em Recife, é possível encontrar vitrais da década de 1930 até o final do Século XX, presentes em exemplares da arquitetura eclética à moderna, sempre inseridos de maneira coerente e harmoniosa nos espaços construídos. Muitos desses vitrais encontram-se em edifícios públicos e estão disponíveis para apreciação, como os vitrais do Palácio Justiça e da Basílica do Carmo, de Moser, o vitral do Cinema São Luiz, de Aurora Lima e o altar da Igreja Nossa Senhora de Fátima de Boa Viagem, que possui uma obra de Marianne Peretti.

A arte do vitral em Recife se constitui em um valioso patrimônio artístico e cultural de Pernambuco, presente na arquitetura de diferentes épocas e estilos e que faz parte da história da cidade. Entendendo a importância dos vitrais como arte pública e patrimônio cultural material, o projeto Recife Arte Pública: Vitrais realizou uma pesquisa para fazer o levantamento desse valioso acervo, coletando dados relevantes sobre as obras, seus autores e sua localização, criando assim um mapeamento e um roteiro para a arte vitralista recifense.

Com isso, o projeto Recife Arte Pública: Vitrais pretende tornar amplamente acessível esse acervo de memórias da cultura pernambucana, oferecendo a um grande número de pessoas o acesso a este patrimônio cultural, artístico e material do Estado, disponível a toda sociedade.